ISSN 1518-2541

Hélade, Número Especial, 2001:1-2

EDITORIAL                                                             

Gilvan Ventura da Silva        

Professor de História Antiga do Departamento de História da UFES

e-mail: gilventura@escelsanet.com.br

Editorial do GT de História Antiga

   Em julho de 2001, durante a realização do XXI Simpósio Nacional de História – A História no Novo Milênio: entre o individual e o coletivo, nas dependências da Universidade Federal Fluminense, reuniu-se pela primeira vez o Grupo de Trabalho em História Antiga da Associação Nacional de História (ANPUH).  O GT é o resultado de um conjunto de iniciativas desenvolvidas por pesquisadores da área visando a estabelecer um novo e permanente fórum de discussões acadêmicas sobre a Antigüidade no Brasil.  Integrando profissionais com distintos níveis de formação e contando com a participação de docentes vinculados a diversas universidades brasileiras, o GT de História Antiga possui, como principais metas, a criação de um circuito ágil de informações entre os pesquisadores  no tocante às atividades de formação e pesquisa desenvolvidas no País; o fomento à criação de projetos interinstitucionais de pesquisa e a intervenção na qualidade do ensino de História Antiga, desde o Ensino Fundamental até os exames vestibulares.  Dessa forma, acreditamos que o GT poderá contribuir de modo eficaz não apenas para o aprimoramento das reflexões críticas acerca da História Antiga como também para a sua difusão nos meios escolares e universitários.

   Tendo em vista tais objetivos, o primeiro encontro do GT estruturou-se a partir de três eixos de discussão cujos trabalhos, publicados na íntegra, ficam agora à disposição do público graças à pronta iniciativa dos editores desta revista em registrar aquilo que foi objeto de reflexão por parte dos membros do GT.  O primeiro eixo de discussão, História Antiga e Livro Didático, coordenado pela prof ª Ana Teresa M. Gonçalves, buscou apontar todos os problemas relativos à transmissão dos conteúdos da disciplina nas obras escolares, especialmente as destinadas ao Ensino Fundamental, como por exemplo os distintos interesses e expectativas envolvidos na produção dos livros didáticos, os equívocos e imprecisões cometidos pelos autores, resultado de um ensino superior na maioria das vezes deficiente, e a necessidade urgente de se estimular, junto aos professores do Ensino Fundamental e Médio, uma análise cuidadosa do material didático que utilizam uma vez que, como é público e notório, em inúmeras escolas brasileiras os livros didáticos se constituem na única fonte de consulta acessível tanto para os alunos quanto para os professores. 

 

Hélade, Número Especial, 2001:1-2

   O segundo eixo, coordenado pela Prof ª Dr ª Regina Maria C. Bustamante, intitulou-se Formação de Recursos Humanos em História Antiga no Brasil.  As comunicações apresentadas procuraram construir um painel acerca das experiências com a formação de pesquisadores em História Antiga, desde a graduação até o Doutorado, em três universidades brasileiras: USP, UNESP/Franca e UFRJ (LHIA).  Em face, por um lado, das particularidades da área, cuja formação profissional envolve, por exemplo, o aprendizado de idiomas - incluindo-se o grego e o latim - e estágios de pesquisa no exterior e, por outro lado, dos prazos oficiais cada vez mais reduzidos para a realização do Mestrado e do Doutorado, enfatizou-se a necessidade de se investir em um trabalho de base junto aos alunos de graduação mediante o programa de Iniciação Científica.  Além disso, as exposições tiveram o mérito de assinalar a existência de uma demanda crescente pela especialização em História Antiga no Brasil, não obstante todos os problemas de financiamento enfrentados pela área de Ciências Humanas em geral, e de revelar duas tendências evidentes quando se trata da formação de recursos humanos nessa área: a necessidade cada vez maior de implantação de pesquisas por equipe e o estímulo à interdisciplinaridade.

   Por último, o terceiro eixo, A Produção Intelectual em História Antiga no Brasil, coordenado pelo Prof º Fábio Duarte Joly, teve por finalidade realizar um inventário dos livros, artigos, teses e dissertações produzidos pelos alunos e professores da USP e da UNICAMP como uma etapa preliminar à criação de um banco de dados em História Antiga a ser gerenciado pelo GT.  O eixo se voltou ainda para a difusão da produção intelectual em História Antiga por intermédio da Internet, cabendo aos editores da Helade expor a sua bem sucedida experiência na manutenção de um periódico eletrônico sobre o tema, revelando-nos o quanto iniciativas deste tipo podem se constituir numa maneira ágil e econômica de divulgar em âmbito internacional a produção científica dos pesquisadores brasileiros, os quais encontram muitas dificuldades para tornar público os resultados obtidos com suas pesquisas 

   De tudo o que foi exposto ao longo de três dias de debates e levando-se em consideração a receptividade demonstrada pelos participantes do Simpósio para com as atividades do GT, é possível constatar-se um crescimento evidente do interesse pelo ensino e pela pesquisa em História Antiga, embora estejamos ainda muito aquém de condições de trabalho satisfatórias.  Entretanto, se observarmos os avanços obtidos ao longo da última década, é impossível não se acreditar num futuro promissor para a área, permanecendo como desafio para os historiadores da Antigüidade neste novo milênio que se anuncia tornar a pesquisa em História Antiga no Brasil reconhecida e respeitada em âmbito internacional.  Nessa empreitada, julgamos que o GT de História Antiga talvez possa, ainda que modestamente, vir a dar a sua contribuição.

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