ISSN 1518-2541

Hélade 2 (2), 2001: 47-61

Sumissão:  Jun/2001; Aceitação: Ago/2001

Valéria Reis

Mestranda em História pela UFF

e-mail: valrc@terra.com.br

 

A Pólis de Atenas e a Guerra Greco-Pérsica a partir das Tragédias Esquilianas

 

        

   Retomamos neste artigo a citação de Aristóteles que qualifica o homem como um  animal político  e a sua necessidade de um convívio com o outro, estando sujeito a um  conjunto de leis e normas de conduta.

   A difícil definição de   pólis  perpassou, ao longo dos estudos históricos, por variadas significações, que não nos possibilitam limitá-la a uma reunião de indivíduos num determinado espaço, mas faz-se necessário estender este conceito à complexa rede de práticas sociais dos seus habitantes.

   Moses I. Finley nos mostra que, para um estudo efetivo da cidade-Estado, seria necessário levar-se em conta determinados aspectos que a distingue de outros conglomerados humanos, ou seja,  a extensão do território agrícola pertencente à cidade, o tamanho da cidade e sua população , o acesso às vias fluviais, a extensão e localização da força de trabalho escrava, a auto-suficiência nas grandes propriedades, a paz e a guerra , bem como a mudança do papel do Estado com o desenvolvimento dos grandes impérios territoriais. (1)

   Outro aspecto que dificulta a elaboração desse conceito consiste na heterogeneidade do corpo de habitantes do ponto de vista qualitativo, que impõe os limites da  praxis política  restringindo , por conseguinte, a cidadania. A necessidade do homem em conviver com o outro nos faz pensar sobre os limites da  pólis  ateniense, por exemplo, determindados no âmbito das relações , o que nos sugere uma imagem dinâmica da  cidade-Estado, um corpo  orgânico  estabelecido num território , sujeito à uma conjuntura.

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   Há que se remontar ao processo colonizador da Grécia inserido entre o VIII e o V séc. a. C. , no qual podemos perceber uma operação política, tida pelos teóricos como  synoecismo arcaico, partindo de uma dispersão da população do continente para as ilhas quando da desagregação dos palácios micênicos. Centralizando o poder sem, contudo, modificar a estrutura de habitação, o  synoecismo mostrou-se como um processo de formação da pólis grega que geraria uma condição de subordinação , segundo Marie-Françoise Baslez, das áreas periféricas à cidade-centro . (1999 : 47)

   As intensas atividades comerciais e, principalmente, bélicas do início do V séc. a.C. na Grécia, nos aponta para uma configuração da cidade-Estado ateniense assentada sobre tensões que, ao mesmo tempo que delimitam o Todo, estabelece áreas de conflito internas e externas à pólis. Tomamos como ponto de partida, para o nosso estudo sobre a pólis de Atenas, o conflito greco-persa por acreditarmos que este fato contribuiu para a política imperialista ateniense e para a constituição de parte dos habitantes em cidadãos ativos no processo jurídico-político da cidade-Estado ateniense.

   No período arcaico encontramos um quadro político-econômico bastante diverso daquele que se configuraria no V séc. a.C. . A hegemonia comercial e cultural de Mileto, Éfeso, Samos e Lesbos, no contexto grego, manteve-se durante a sua subordinação ao império persa e a alteração desse quadro remonta ao início da sublevação dessas cidades jônicas que permitiu, num curto espaço de tempo, a transferência desse poderio para Atenas, cuja participação no conflito foi determinante para a sua política  imperialista empreendida, com maior intensidade, no período compreendido entre 490  e   462 a.C.

   A revolta contra os persas trouxe algumas conquistas provisórias para os gregos como  Sardes, por exemplo, que, no entanto, foi logo resgatada numa represália persa, juntamente com Chipre, Éfeso e Lade. Alfred Heuss afirma que houve uma vantagem civilizadora nesse processo , pois os persas obrigaram as comunidades gregas a firmarem tratados de  assistência jurídica, elimininando deste modo o método brutal de fazer valer as reivindicações de direito privado entre habitantes de diferentes cidades.  (1988: 250)

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   Para o aprofundamento de nossos estudos, selecionamos algumas passagens da obra do poeta trágico Ésquilo, o qual vivenciou este conflito na posição de soldado, poeta e cidadão , participando dos momentos de glória em relação às batalhas de Maratona e de Salamina, e do período conflituoso das reformas de Efíaltes em 462 a.C.

   Na tragédia  Persas , encenada em 472 a.C.,  podemos observar indícios do conflito entre gregos e persas :

   Me pareceu ver duas mulheres ricamente vestidas, uma à moda persa, a outra à moda dórica  (vv. 181 - 183 ) 

   Esses versos contêm o relato da rainha persa, Atossa, acerca de seu sonho e, possivelmente, se refere aos gregos das colônias da Ásia Menor e aos gregos do continente. No sonho, as duas mulheres seriam subjugadas pelo rei Persa, Xerxes, sendo que uma delas se rebelaria ( os gregos do continente) enquanto a outra seria subjugada facilmente ( as colônias ). No entanto, Ésquilo , nos versos seguintes, aponta para uma certa rivalidade, embora as palavras stásin tin' não esclareçam o tipo de rivalidade e nem a sua origem. Tal rivalidade poderia advir , nesse período, de uma intensa atividade comercial, não descartando a possibilidade de  guerra e  pirataria entre as cidades gregas . A disputa pelo comércio de cerâmica, cereais, armas e metais, determinaria um comércio de abastecimento, especificando a cidade-Estado como sendo de  consumidores. (2)

   Essa rivalidade entre os gregos do continente e as colônias é percebida nos seus efeitos sócio-políticos ao reiterarmos a hegemonia das cidades da costa da Ásia Menor no contexto grego antes das guerras médicas.  Ésquilo celebra a batalha de Salamina através da  tragédia  Persas,  no entanto, ele não se exime de mencionar a derrota dos bárbaros na batalha anterior, a de Maratona, ao dar seqüência ao relato da rainha  persa:    

   Amarga (derrota) meu filho encontrou quando diante da honra dos gloriosos Atenienses, ao invés de contentar-se com os bárbaros caídos em Maratona (vv. 473 - 475)           

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   À frente do exército ateniense (3) encontrava-se  Milcíades (4) que , juntamente com Aristides e Temístocles (5), foram os responsáveis pela vitória dos gregos em Maratona e Salamina (6). A hegemonia ateniense no mar Egeu pode ser atribuída à ruptura de um elo na cadeia política persa, face a uma sucessão de crises na Pérsia, o que facilitou a ascensão de Atenas. (7) Após a batalha de Maratona, o exército e a frota persa recuaram sem, contudo, desistir de uma nova incursão ao continente grego. O rei persa   Dario que  retornou à Ásia Menor, permanecendo   três anos  às voltas com os preparativos para uma nova batalha.  Todavia, durante os preparativos, Dario  deparou-se com uma revolta no Egito, morrendo em 485 e sendo sucedido pelo seu filho Xerxes.

   Os dois primeiros decênios do V séc. a.C. são tradicionalmente considerados como a passagem da  época arcaica  para a  era clássica, durante a qual poderíamos imputar à Atenas uma posição hegemônica em relação aos demais gregos. (8) A pólis teria poucos recursos naturais, entretanto, poderíamos destacar   a utilização da prata extraída das minas do Láurion, no período de Temístocles, para a construção da frota, fato este mencionado por Ésquilo nos versos da tragédia  Persas , em que a rainha pergunta ao coro qual seria a riqueza dos gregos:

   Eles têm uma mina de prata, a riqueza vem (é ) da terra. (v. 238)

   Entre as duas batalhas contra os persas, intensificou-se as atividades no sentido da criação de uma frota cívica com objetivos defensivos. Aristides que, segundo Plutarco, havia travado, anteriormente, amizade com Clístenes foi adversário de Temístocles nesse período. Entretanto, o antagonismo político teve pouco reflexo na  política externa, pois podemos observar o objetivo comum dos dois políticos em tratar da defesa da cidade.

   Representantes de segmentos divergentes da sociedade, as imagens dos dois estrategos estariam, a partir dessas batalhas, associadas a características específicas: Aristides seria considerado um dos articuladores da vitória de Maratona, uma vitória dos soldados hoplítas, e Temístocles à de Salamina, uma batalha especificamente naval (9). Para os atenienses a batalha de Maratona foi significativa criando, segundo Baslez, a  identificação da comunidade cívica com os guerreiros,  ou seja, a libertação do solo Ático geraria uma união estrutural da cidade ao seu território, o que , nas palavras de Heródoto, demonstraria a  superioridade absoluta da falange hoplita. (M-F Baslez, 1999: 93).

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   Podemos perceber nesse período um quadro de resistência no mundo grego, no sentido de processar uma união de forças antipersas, numa tentativa de transpor os conflitos locais através da constituição de uma aliança dos gregos -  symmchie - reunidos sob um santuário do Istmo na primavera de 480,  algo assim como uma vontade grega comum reafirmada por um juramento.  ( A. Heuss, 1988: 261)

   A necessidade de se delegar a hegemonia a uma cidade, gerou controvérsias entre os aliados  o que, gradativamente, iria determinar a divisão do mundo grego em dois blocos: a Liga Peloponésia em torno de Esparta e a Liga de Delos, marcada pelas ilhas do mar Egeu e pela jônia em torno de Atenas.

   No entanto, no que tange à política interna, não poderíamos supor facções nesse momento, pois a permanência  dos persas nas rotas de comércio, levaria a uma união de forças no sentido de suplantá-la. Aristides, (10) por exemplo, após a batalha de Platéias, em 479, foi um dos articuladores da Liga de Delos em 478 a.C. e, portanto, ciente da necessidade da criação de uma frota grega para expulsar definitivamente os persas.

   Essa estratégia política, favoreceria a marinha mercante dos Atenienses na disputa pelo abastecimento de cereais, principalmente a importação de trigo, pois com  as perdas no campo em função dos incêndios e devastações empreendidas pelos persas, houve um crescimento da população e da produção urbana acarretando uma produção artesanal e seu comércio com outras partes da península helênica. A hegemonia de  Atenas seria necessária, portanto,  para garantir o comércio e a troca de mercadorias.

   Podemos supor que entre  477  e  466   a Liga de Delos realizou seu objetivo inicial, expulsando os persas de sua última base européia , em Eion na Trácia , na embocadura do rio  Estrímon. Karystos, uma cidade pró-persa, foi castigada e os limites da Liga foram estendidos até Chipre.  Thasos e Skyros foram anexadas, sendo esta última de grande importância para o controle da rota do trigo. O papel de Címon, filho de Milcíades,  como articulador dessa política de expansão do imperialismo ateniense foi relevante, levando alguns historiadores a chamar esse momento de  Época de Címon  ( A. Heuss, 1985 : 284)

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   A presença de Címon no cenário político ganharia mais expressão a partir de 463, quando haveria uma redução da campanha marítima anti-persa. Na tragédia  Eumênides  podemos supor uma representação de Ésquilo no que tange às incursões dos Atenienses na costa  jônia, quando a deusa Atena entra em cena atendendo a um chamado de seu povo.

  Ouvi um grito de longe, do Escamandro , terra ocupada (tomada) pelos valorosos aqueus (v.397-399)

   Na sequência desta passagem a deusa Atena completa que essa terra (que ficava na Ásia Menor) havia sido dada aos filhos de Teseu (Atenienses) como   dorema - um presente. Ésquilo deixa transparecer em algumas passagens de suas tragédias  referências a outras incursões , como em  Agamêmnon, por exemplo:

   E o povo Aqueu permanecia em frente a Calcídica nas águas de Aúlis recebendo os ventos do Estrímon trazendo ócio e fome. (vs 189-193)

  A historiografia nos aponta Eion, no rio Estrimon, como sendo a última base persa tomada pelos gregos e a Calcídica teria sido um ponto estratégico , no qual Xerxes construiria as pontes de barcos sobre o Dardanelos, com o objetivo de evitar perdas de tempo na travessia para o continente grego.

   Embora Címon estivesse ligado diretamente aos  áristoi , ele foi, juntamente com Temístocles , o promotor da política naval expansionista ateniense, mas limitou sua atuação bélica às campanhas pela Macedônia a fim de conquistar novas bases.

   Não encontramos em Ésquilo menção às atividades bélicas dos gregos, nesse período, em relação às colônias gregas do Ocidente, apesar de referências da historiografia à luta dos gregos contra Cartago em defesa da Sicília. Quanto à situação da Ásia Menor, Temístocles dava continuidade a sua estratégia política que nos leva a supor um chamamento de todos os jônios contra a Pérsia, dirigidos por Atenas, enquanto Esparta preocupava-se somente com a defesa da Grécia Continental. (A. Heuss, 1985: 279)

   A maior parte dos aliados da Liga de Delos era constituída, sobretudo, pelas as inúmeras ilhas do mar Egeu com pouca expressão política , levando a direção das atividades e as decisões políticas para Atenas. A frota de Atenas era ampliada a cada ano com os tributos recolhidos dos aliados e o porto de Muniquia foi completado com as instalações do Pireu , segundo um projeto idealizado por Temístocles.

   Os acontecimentos nos levam a supor uma convergência de interesses tanto dos áristoi , como dos cidadãos dos segmentos socialmente inferiores, os thetes, contratados como remadores, por exemplo, e comerciantes e artesãos interessados nas rotas comerciais.

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   De  469  à  463 a.C consolidava-se um ciclo de operações sob o comando de Címon , cujos resultados computados contavam com a vitória na batalha do Eurimedonte em 469, a extensão da hegemonia ateniense até Fasélide , na Lícia , a destruição da frota persa , a reconquista do Quersoneso trácio e a anexação de Tasos e a reanexação de Naxos.

   Mario A. Levi aponta para a significação dos êxitos militares e políticos de Címon, os quais deixam transparecer que as consequências políticas das guerras persas em Atenas e na Ásia não  modificaram profundamente a situação de poder efetivo dos  genes. Para o autor, a luta política  depois das reformas de Clístenes continuou a travar-se entre as grandes famílias sem , contudo, descartar o elemento novo, ou seja, a ascensão econômico-social dos antigos e novos cidadãos da área urbana em suas relações com as populações do campo e do litoral  (1991: 68)             

   Os vínculos entre essas diferentes comunidades perpassavam pelas suas necessidades: produção para exportação e importação de cereais. Tais ligações assentavam-se sobre um interesse comum que consistiria no benefício que tiravam dos tributos dos aliados. O culto de uma divindade comum seria determinante para a criação de uma coletividade, visto que a unidade e coesão desses grupos partia do pressuposto de uma origem comum, que acarretaria a prática de ritos inserida num processo de reunião dos grupos para a formação de alianças.

   A política externa ateniense não contava apenas com um confronto contra os persas, mas deparou-se também com a Liga do Peloponeso, da qual participavam Corinto e Egina , como principais oponentes  no comércio e Esparta , sua principal rival na hegemonia militar. A aliança entre Atenas e Argos, cidade tida como a primeira a colocar em prática a estratégia da falange hoplita no séc. VII  a.C. , foi celebrada por Ésquilo nas tragédias  Sete contra Tebas, Suplicantes  e  Oréstia.  Argos , rival de Esparta no Peloponeso, contava com o apoio dos Atenienses para manter-se independente de Esparta e Atenas visava a possibilidade de manter uma base de operações no próprio Peloponeso.

   Em 467, Ésquilo encena   Sete contra Tebas , que se nos apresenta propícia à uma análise. Acreditamos que os aspectos mitológico-culturais poderiam servir como mecanismos legitimadores de uma aliança entre Atenas e Argos. A cidade de Tebas, por exemplo, surge no contexto do V séc. a.C. como aliada dos persas em suas incursões ao continente grego. Em suas cercanias encontramos a Fócida e a Beócia, palco das batalhas que, a partir da segunda metade do V séc. , seriam tidas como a Primeira Guerra do Peloponeso. As disputas levariam ao confronto das duas alianças: Atenas e Argos contra Egina , Corinto e Esparta. Essa disputa arregimentaria as cidades periféricas da Fócida e da Beócia e teriam como ponto nevrálgico a função de proteção e controle do oráculo e do santuário de Delfos, o que dava a Esparta uma efetiva superioridade sobre os gregos , devido ao apoio espiritual que lhe vinha do oráculo, tido como a máxima autoridade religiosa helênica.

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   Paralelamente à política externa, os cultos teriam seu papel destacado na consolidação da unidade da Ática, pois congregavam todos os atenienses através, em primeiro lugar, do culto da deusa tutelar da cidade, Atená  e  depois os de Dionisos e o das duas deusas de Elêusis, deuses populares do campo. Pierre Lévêque e Pierre Vidal-Naquet, acreditam que enquanto outras partes do mundo grego jamais haveriam de alcançar a unificação, a cidade-Estado ateniense teria, na sua unidade, o fator decisivo para enfrentar o perigo das guerras médicas. (C. Mossé, 1997: 20)

   Há autores que classificam o conflito religioso como onipresente nas tragédias gregas suplantando os conflitos políticos. O culto ao Apolo oracular teria sido acrescentado à religião olímpica, na qual Zeus seria a fonte de soberania. No entanto, as guerras médicas levaram os Atenienses a transformarem  a religião de Atenas  num culto oracular, (11) no qual a deusa Atená manifestar-se-ia  como centro e deusa protetora da liga délio-ática.

   Em  Sete contra Tebas  , o nome da cidade em questão só é mencionado no título, pois o poeta ao referir-se à cidade durante a encenação se utiliza dos epítetos que a caracterizam . Geralmente o poeta usa o termo Cadméion pólei - asty  Kadimeion,  expressões que destacam o fato da cidade ser  de Cadmo,  herói mitológico descendente de Zeus e de  Io, ambos deuses ancestrais de Danao e das Danaides, personagens da tragédia  Suplicantes. Gostaríamos de destacar essa ancestralidade comum aos personagens das duas tragédias, reforçando a necessidade de se criar um elo religioso que legitimasse a aliança entre essas cidades.

   Segundo a mitologia, Cadmo fundou a cidade de Tebas e sofreu algumas adversidades, próprias dos mitos fundadores, sendo sempre protegido pela deusa Atená. A nossa análise parte do pressuposto de que, no contexto real, Atenas e Tebas seriam inimigas, fato atestado pela historiografia. Todavia,  à semelhança da tragédia  Persas, a encenação se dá na cidade inimiga. Para criar-se uma empatia do público com os  personagens, o poeta teria, ao longo  da tragédia, de formular um discurso de identificação do público com o mito do herói representado.

   A  Análise do Discurso  veria a estratégia de omissão do nome  Tebas do corpo narrativo como um recurso do poeta no sentido de forçar um apagamento , durante a encenação , das  referências à cidade-real de Tebas, conduzindo a uma fixação apenas da relação mitológica da cidade com os Atenienses, através do personagem  filho de Kadmo.  Usando o nome da cidade apenas no título, Ésquilo deixa aparente o antagonismo  contra Tebas, nos levando a supor uma intenção do poeta em enfatizar as hostilidades nas relações entre as duas cidades. Mas, ao longo da encenação, o público seria envolvido pelo  pathos  provocado pela incitação constante do herói  ( representando o sujeito-autor ) à defesa da cidade, ao reconhecimento dos interesses comuns e aos valores guerreiros.

   Temos, portanto, dois lados manifestados na tragédia: primeiramente, as hostilidades contra Tebas que precisariam estar representadas e que o poeta, em nossa opinião, consegue através do título; o segundo lado seria a legitimação das alianças políticas, através de mitos fundadores  e a exaltação de valores guerreiros  inseridos na empatia com o público, conseguidos com o apagamento, durante a enunciação, das referências à Tebas. Observamos que  tais recursos dariam  unidade e sentido ao texto, o qual não se constituiria por acaso, visto que a Análise do Discurso não trabalha com a idéia de texto  inocente, mas sim com um texto inserido na história atravessado pela linguagem e pela ideologia.

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   Em seguida faremos uma análise da passagem que contém a súplica de Etéocles, descendente de Kadmo, às divindades, no momento em que a cidade estaria sendo sitiada.

   Oh Zeus e Terra e deuses protetores da cidade, Oh maldição e Erínia poderosa de um pai, não me arranqueis pela raíz , a cidade , destruída pelo inimigo da língua grega, e as casas com seus templos. E que nem tão pouco escravizem a Terra e a cidade de Kadmo que são livres.  (vv. 69-75)

   Temos na fala de Etéocles uma possível referência de Ésquilo à uma etnia helênica, constituída pela língua comum , o culto às divindades comuns e o fator elementar que caracterizaria a cidade e cidadãos gregos, a independência, ou seja, a liberdade - eleutheran.

   Algumas  observações cabem nessa análise e que dizem respeito a denominação genérica de Aqueus ao primeiros Helenos. A Profa. Guida Nedda Barata apontou para uma controvérsia entre autores modernos, em que alguns preferem reconhecer a presença de jônios  anteriormente à chegada dos Aqueus à península  grega. Ao ocuparem o Peloponeso não teriam escravizado por completo os pré-helenos que encontraram e a sua tradicional divisão política em quatro tribos parece remontar ao estabelecimento inicial, na Grécia, desse grupamento étnico primitivo. Para  a autora, essa tese nos leva a aceitar uma segunda leva de invasores, os dórios, que teria desalojado os jônios, que emigraram para a Ásia.  Entretanto, Homero generalizaria os gregos , tomando-os todos por Aqueus (1991: 54-55)

   Essa análise nos leva a supor um quarto elemento discriminador da cultura helênica : a constituição política, que, na visão do Prof. Ciro Flamarion Cardoso, seria um traço tipicamente grego e gerador de uma  identidade helênica que poderia ser  percebido na sua fidelidade ao modo de funcionamento da pólis (...) , o próprio de todas elas era que, em órgãos coletivos variavelmente restritos ou inclusivos ( do tipo do conselho ou da assembléia ), se chegasse a decisões obrigatórias para todos por meio do debate, da deliberação e do voto. (12)

   A distribuição política em quatro tribos parece remeter à civilização jônia primitiva, um sistema que teria sido levado adiante no processo colonizador. Poderíamos tomar esses fatores - a língua comum, o culto às mesmas divindades, a liberdade e a constituição política -  como geradores de uma etnia helênica, mas , ao mesmo tempo, percebemos , nas tragédias de Ésquilo , uma possível intenção em distinguir uma etnia jônica, face à utilização de mitos que remontam a um passado jônico comum entre Atenas e seus aliados, em contraposição  à Esparta de origem dórica.

   A pólis manifesta-se nos versos de Ésquilo como unidade centralizadora das atenções de Etéocles, do coro e das graças das divindades. As palavras derivadas de   poli   - pólis  e  filo   - philos  são constantemente empregadas pelos personagens como, por exemplo,  na  fala de Etéocles, em que a expressão polissúkhoi  theoi - deuses protetores (moradores) da cidade  é empregada na evocação aos deuses para que salvem a cidade, caso as muralhas não se sustentem.

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   Observamos que as individualidades são silenciadas na voz do coro que canta em uníssono, suplicando que os deuses  circundem a cidade e a protejam - amphibantes pólin. Nas expressões usadas pelo coro -  philopolies  (amigos da cidade) e philothyton  (amigos de sacrifício), podemos entender o radical  philo  com uma acepção de aliança que determinaria um conjunto , uma unidade direcionada para a salvação da cidade.

   A historiografia nos aponta para algumas vitórias dos gregos na Grécia Ocidental que remontariam , possivelmente, ao final do séc. VI a.C., estendendo-se  até a primeira metade do V séc. a.C. .   M-F Baslez estabelece um paralelo entre as batalhas de Salamina e Cumes, destacando como uma das causas do conflito o estabelecimento da tirania nessa região. Siracusa, segundo Píndaro em seu   Elogio de Hiéron,  seria considerada   a  fortaleza helênica do Ocidente. ( M-F. Baslez, 1999: 102)

   O nosso objetivo aqui, no entanto,  restringiu-se aos conflitos greco-persas do continente grego e da Ásia Menor, e ao início das hostilidades entre Atenas e Esparta, face à limitação de nossas fontes. Podemos entender a política interna ateniense atrelada à sua política imperialista e, num contexto em que a ameaça persa ainda se fazia presente, far-se-ia necessário canalizar os interesses de uma sociedade heterogênea e permeada por conflitos em direção ao  bem comum da pólis.

   Claude Mossé afirma que apesar da relação de forças na sociedade ateniense modificar-se, não há indícios que atestem a constituição de facções até as reformas de Efíaltes em 462 a.C. (13) A autora coloca que as relações de Címon com Esparta não implicavam , necessariamente, opiniões oligárquicas , e a hostilidade de Temístocles à cidade peloponésia não prova que ele tenha sido chefe de qualquer partido democrático.   Baslez, por exemplo, ao citar Aristóteles e sua suposição quanto a uma bipolarização da vida política, reunindo Temístocles, Efíaltes e Péricles numa mesma filiação política, completa afirmando a  excessiva redução  desse aspecto até o início da Primeira Guerra do Peloponeso. ( 1999: 108 )

   No período compreendido entre  470  e  460 a.C. podemos observar uma série de medidas no que tange às políticas interna e externa ateniense. O ostracismo de Temístocles em 471, sob a acusação de  pretenções à tirania e a morte de Aristides, em 467, fez surgir uma nova geração de políticos: Címon, filho de Milcíades, Efíaltes, um estratego da frota e Péricles, da família dos Alcmeônidas. Um momento de profundas mudanças que contou com a morte do rei persa, Xerxes, em 465 a.C e o início de uma sublevação grega no Egito.

   A colonização do Egito, entre os séc. VII e VI  a.C. , trouxe para os gregos o abastecimento de trigo e, segundo Gustave Glotz (14),os mercadores e mercenários gregos foram bem acolhidos , de forma que lhes foi possível criar feitorias duradouras.

   O afastamento dos persas do mar Egeu consistiu num processo gradativo, marcado pelas sucessivas perdas de bases para os gregos, na Trácia, na Ásia Menor e nas ilhas. As sublevações tornaram-se constantes desde as colônias no Mediterrâneo Ocidental até as colônia do lado Oriental.

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   Em  465 a.C. o rei persa Xerxes morre deixando o trono para seu primo Artaxerxes, o qual se deparou com a sublevação do Egito. Ésquilo encena a tragédia Suplicantes  em 463 a.C. , nos levando a supor indícios que  apontariam  para uma possível aliança entre Atenas e o governante do Egito , Inaro. A tragédia trata da fuga de Danao e de suas cinquenta filhas , Danaides, para a cidade de Argos. Procedendo do Egito, Danao esperava encontrar, junto ao rei  Pelasgos, ajuda contra os filhos de seu irmão que pretendiam desposar as Danaides contra a vontade destas. Os primeiros dados que podemos levantar acerca da colonização grega do Egito aparecem nos versos  de  Suplicantes:

   Fugimos do país Sírio, não por termos cometido um crime de sangue e termos sido  julgados pelo voto da cidade, a um desterro decretado pelo povo , ( vs. 6-8 )

   Nesta passagem podemos depreender uma organização jurídica tipicamente grega, dela fazendo parte o processo de julgamento pelo voto do povo - demelasian psephoi. Elementos caracterizadores da etnia grega, o   voto  e a  soberania do povo  reiteram a colocação do Prof. Ciro Flamarion acerca desse traço diferenciador das demais sociedades.

   Não dispomos das duas outras tragédias que comporiam a trilogia da qual faria parte   Suplicantes , mas entendemos que o poeta trágico adapta os mitos sem, contudo, alterar-lhes a estrutura ordenadora. Buscamos as variações do mito de Danao e  encontramos, para o seu desfecho, o retorno para o Egito de uma das Danaides casada com um de seus primos, e seu reinado posterior na terra de Zeus. Ésquilo evoca a ascendência grega das Danaides ao remeter seu nascimento - genos -  à Bezerra perseguida por um moscardo -  te  oistrodonu  boòs.  O poeta alude ao mito de  Io que, juntamente com Zeus, teriam gerado a raça de Danae, estabelecendo o mito fundador da raça grega no Egito.

   Os cento e setenta e cinco primeiros versos da tragédia são proferidos pelo coro que canta em uníssono, silenciando as diferenças ou questionamentos e tornando presentes os elos  passados de uma etnia jônica. Dessa forma, os mitos fundadores poderiam ser entendidos como mecanismos legitimadores de uma possível aliança  entre Atenas e Egito

  As Danaides, seguindo os costumes de sua ascendente  Io, lamentam, à maneira jônia, os seus infortúnios:   Assim também eu quero chorar à maneira jônia. ( vs. 68-69 )

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   Pierre Grimal (15) atesta que uma das vertentes mitológicas mais utilizadas pelos tragediógrafos seria a de que Io, após ser transformada em Bezerra, foge da ira de Hera, esposa de Zeus, vagando por Micenas e Eubéia. Mais tarde, perseguida por um moscardo, também mandado por Hera, lança-se numa fuga desenfreada por toda a Grécia:  Começou por percorrer as costas do golfo que, por sua causa, recebeu o nome de golfo Jônico; atravessou o mar no estreito que separa a costa da Europa e a da Ásia e deu-lhe o nome de Bóforo, "Passagem da Vaca". Na Ásia, vagueou longamente e acabou por chegar ao Egito onde foi bem recebida e deu à luz o filho que concebera de Zeus, o pequeno Épafo, que deu origem a uma raça numerosa a que pertencem as Danaides.

   Entendemos o mito surgindo no contexto esquiliano como uma justificativa para o presente, em que a hegemonia de Atenas sobre o mar Egeu, levou a um conflito contra os persas e mais tarde contra Esparta. A aliança política travada entre Atenas e Argos contra Tebas nos remete a um passado mitológico em que Tebas teria sido fundada por Cadmo, descendente da raça jônica e protegido da deusa Atená, o que justificaria uma incursão libertadora de uma cidade outrora irmã. Por sua vez, a aliança travada entre Atenas e Egito, nos remonta ao seu mito fundador , representado por Danao, também descendente de Io e da raça jônica.                   

   Observamos que dois conflitos se configuravam no âmbito da política externa ateniense: as batalhas contra os persas, na Ásia Menor e no Egito, das quais participava Címon a frente de Atenas e  o conflito contra a Liga do Peloponésio , cujo articulador seria Péricles. 

   As intensas atividades bélicas no Mediterrâneo Oriental estavam sob o comando de Címon e contavam com a participação de Péricles e Efíaltes no quadro político. A política contra os persas e pró-espartana de Címon perpassaria pela intensão de uma possível integração e complementação de forças , tendo em Esparta a potência agrícola e militar e em Atenas , a potência naval e mercantil. No entanto, a política anti-espartana de Péricles entra em confronto com a de Címon, face à previsão daquele de uma hegemonia pan-helênica no mar Egeu com a liderança de Atenas.

   Ambas as políticas, entretanto, deixam transparecer uma supervalorização da frota com a gradativa substituição do guerreiro hoplita e dos cavaleiros( de Maratona e Platéias ) pelos remadores das trirremes.  Plutarco ilustra esse fato contando que durante um ritual em Atenas, Címon foi até à Acrópole, oferecendo aos deuses da cidade os freios de seu cavalo, como demonstração de sua política naval, visto que o cavalo representaria o segmento mais rico da população : os híppei - os cavaleiros.  

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   Na campanha imperialista ateniense, Címon repelira o exército e a frota persa, estabelecendo bases em  Cnidos, Cália e Chipre, na Trácia e nas regiões do Helesponto e do Quersoneso. Com a presença ateniense em Chipre, o governante  do Egito , Inaro , buscou auxílio contra a frota fenícia obtendo a cooperação tanto de Címon quanto de Péricles. Os fenícios representavam, ainda nesse período, uma forte concorrência, no que tange às rotas mercantis da Ásia e da África.  Levi afirma que a aceitação de Péricles não contradiz a sua política calcada na hegemonia ateniense e num acordo com os persas visando as rivalidades contra Esparta,  mas o momento vivido por Péricles e Címon não permitia  opções absolutas ou compromissos imutáveis. (M.A Levi, 1991:105)

   Os principais adversários da Liga délio-ática, a frota persa e a marinha fenícia viram-se envolvidas numa complexa rede de revoltas por todo o império persa, acarretando perdas e prejuízos econômicos. Como atestamos anteriormente, não descartamos o fato de coexistirem , nesse período , os conflitos entre atenienses e espartanos, mas entendemos que a sua significância só ganharia espaço quando os conflitos na Ásia Menor tivessem sido suplantados pelos conflitos que viriam a opor a Liga Peloponésia, a Liga de Delos e a Liga Tessálica, tendo como centro nevrálgico as  póleis de Corinto , Egina e Mégara.

   Em  463 a.C.  Péricles promoveria uma acusação contra Címon, acusando-o de corrupção no sítio à Tasos. Os questionamentos acerca de sua política militar, levaram Címon à uma perda de prestígio na vida pública , reforçada pela luta de Efíaltes contra o Areópago. Absolvido, foi novamente acusado em 461, após as reformas de Efíaltes que destituíram o Areópago da maior parte de suas atribuições. Não conseguindo sustentar sua defesa, partiu para o exílio , o que permitiu a ascensão de Péricles ao quadro político.  É oportuno frizar que as políticas  de  Péricles e de Címon  mostram-nos uma realidade em que a disputa pelo poder mantinha-se entre as famílias preeminentes.

   Apesar de ser um período marcado por uma política interna conturbada e  pelas reformas do Areópago, o ostracismo de Címon e o assassinato de Efíaltes em 462, percebemos no âmbito da  política externa,  uma manifestação de unidade da pólis ateniense, quando em 457 a.C. uma coalizão entre eginetas, coríntios , beócios e espartanos, levaria Péricles a permitir o regresso de Címon atribuindo-lhe também o comando das operações militares contra os peloponésios.

   A cidade de Atenas congregava-se em torno da deusa Atena, protetora da pólis e dos cidadãos, uma afirmação de unidade popular em torno da deusa da Acrópole. Tal devoção seria inerente à condição de cidadãos e à ordem política isonômica , em que os deveres dos cidadãos sobrepunham-se aos direitos, promovendo uma unidade sócio-política e religiosa, cujos fatores de integração residiriam no fato do cidadão conceber-se como uma parte de um  Todo, voltado para o  bem da pólis.

   Esse período compreendido entre  490  e  462  a.C., mostrou-nos a emergência de um sentimento de responsabilidade para com a pólis entre os cidadãos atenienses, não afastando, porém,  a heterogeneidade  da comunidade política. Mas podemos perceber uma diversidade silenciada face à uma identidade construída na  praxis política, na qual cada cidadão desempenharia a sua função , conforme as suas possibilidades.  

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   A igualdade dos cidadãos perpassaria pelo critério da proporcionalidade, no qual aos cidadãos mais ricos cabeira uma maior contribuição financeira e, consequentemente, um poder de decisão maior nas assembléias.  Acrescentamos que ao critério de proporcionalidade juntar-se-ia a  liberdade , fator determinante, que distinguiria o cidadão do não-cidadão, pois tão somente a ele seria facultada a liberdade de falar em praça pública e votar o destino da pólis.

   De acordo com os estudos de  F.R. Adrados, as guerras médicas conciliariam os traços da areté aristocrática de honra e glória protegida pelos deuses e manifestando-se como  liberdade e nobreza de todos os cidadãos. Para o autor , pela primeira vez a cidade funcionaria como uma  unidade pela qual cada indivíduo estaria vitalmente interessado aceitando seu lugar na ordem existente.  (F.R.Adrados, 1983:109)

   À liberdade concebida como uma condição para o  exercício da cidadania,  visando o estabelecimento de uma ordem satisfatória da pólis, contrapor-se-ia o   kratos poder  no interesse do  demos - povo  da ordem política democrática do período de Péricles, em que as reivindicações dos direitos iriam sobrepor-se aos deveres dos cidadãos, cujo desdobramento faria com que Atenas se transformasse na cidades dos processos.  

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 NOTAS

1 - FINLEY, Moses I.   Economia e Sociedade na Grécia Antiga  . São Paulo: Martins Fontes, 1989 pp. 24 Finley atesta que a cidade não existe isoladamente : é parte integrante de uma estrutura social maior, no mundo greco-romano , uma instituição central.

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2 - MOSSÉ, Claude. A Grécia Arcaica de Homero a Ésquilo, Lisboa: Edições 70 ,  1984  pp. 126.A autora cita a  cidade consumidora  de Max Weber e Hasebroek 

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3 - A não-participação de Esparta deve-se a uma festa religiosa nesta cidade, o que nos leva a reiterar o aspecto religioso como fator extremamente importante na vida sócio-política grega.

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4 - Estratego pertencente a uma das famílias aristocráticas da Ática.

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5 - Aristides  e Temístocles foram estrategos nas batalhas contra os persas, sendo que o primeiro pertencia a uma das famílias aristocráticas . Sobre Temístocles não sabemos o suficiente, a não ser o fato da  historiografia tê-lo como representante dos interesses dos comerciantes e artesãos.

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6 - A batalha de Platéias, em 479 a.C., consistiu na segunda empreitada persa contra os Atenienses e teve lugar na planície beócia. Liderada pelo espartano Pausânias , consagrou-se por ter sido uma batalha hoplítica por excelência.

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7 - ROSTOVZEFF, M.  História da Grécia. Rio de Janeiro:  Zahar , 1973, pp. 142.

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8 - BASLEZ, M-F ,  Histoire Politique du Monde Grec Antique.  Paris: Nathan, 2ª ed., 1999, pp. 83.

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9 - HERODOTO.  Los nueve libros de la historia. México: Editorial Porrúa, 5ª ed., 1997, pp. 287.Heródoto afirma que a vitória dos Atenienses deve-se aos poderes sagrados do solo de Atenas que era protegido pelos deuses (Heródoto, VI : 105)

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10 - Segundo Plutarco, o maior crédito de Maratona foi dado à Milcíades, mas em segundo lugar viria Aristides em glória e influência.

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11 - Segundo Levi podemos encontrar esta documentação nas pinturas de vasos que representam Hércules arrebatando a trípode a Delfos para dá-la a Atena, não obstante a presença armada de Apolo.

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12 - CARDOSO, Ciro Flamarion. O problema da identidade clássica: a visão de um historiador.  Conferência realizada na II Jornada do CEIA - UFF em 1999.

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13 - MOSSÉ, Claude.  Atenas: a história de uma democracia.  Brasília: Editora UnB, 3ª ed. , 1997, pp.30.

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14 - GLOTZ, Gustave.  História Econômica da Grécia.  Lisboa: Edições Cosmos, 1973, pp. 62.

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15 - GRIMAL, Pierre . Dicionário da Mitologia Grega e Romana. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 3ª ed., 1993, pp. 251

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