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ISSN 1518-2541
Hélade 2 (2), 2001: 41-46 Sumissão: Jun/2001; Aceitação: Ago/2001 Katsuzo Koike Professor Mestre em História Social pela UFRJ e-mail: kkoike@uol.com.br
A
ANTIGA SOPHÍA GREGA
O presente artigo tem por objetivo principal compreender como os gregos
vivenciaram a idéia de sophía, conceito de grande expressão teórica que recebeu amplos
sentidos no período entre os séculos VIII e IV a.C.
É possível verificar os
aspectos essenciais da sophía não
apenas analisando as prováveis variações semânticas da palavra na
antiga literatura grega, mas sobretudo atentando para figura do sábio (sophós,
sophistês), sua relevante presença na realidade grega e a maneira
como foi considerado e lembrado no meio da comunidade cívica. O problema
da sophía compreende dimensões
diversas da vida na pólis dos períodos arcaico e clássico, favorecendo
a criação de questões teóricas significativas que ultrapassam os modos
singulares de utilização do termo em si. Em linhas gerais, o sentido da sophía vincula-se a certas qualidades que os homens recebem das divindades, um tipo de perfeição que poucos possuem, uma habilidade rara nas tarefas, uma virtude que a maioria almeja e admira; "de todas as possessões, a única imperecível", dizia o retórico ateniense Isócrates (Or.I, 19). A sophía relaciona-se às faculdades humanas dirigidas ao saber-fazer e ao pensar com inteligência, sensatez e virtude. É citada na Ilíada (XV, 410-430) em relação à capacidade prática de se construir navios, por inspiração de Atena. Hesíodo (Trab. e Dias 649 ) refere-se à arte de navegar utilizando o verbo sophizô, ou seja, "ter destreza". Píndaro, poeta tebano do século V a.C., elogia um ótimo cocheiro com adjetivo "sophós" (Pit.V,115). Podia ser chamado sophós não apenas um habilidoso piloto de navio ou cocheiro, mas também um famoso adivinho ou um grande escultor (1). O mínimo que se exigia de um sophós era o domínio de uma téchnê, não apenas uma competência no saber ou alguma qualidade profissional, mas uma sabedoria reconhecida, uma saber elaborado e de aprendizagem especial, conforme diz Vernant (1990:264 e 298). A téchnê grega ultrapassa a simples empeiría, por estar ligada a uma atividade intelectual consciente das causas e resultados. Na interpretação de Virginia Armella (1993:74), ela "envolve a totalidade das potencialidades de cada homem, as mais elevadas, mais íntimas, o sensível e o espiritual". O saber do sophós, mesclado ao divino e ao excepcional, é algo espantoso, e seus êxitos parecem não ter explicação humana. A sophía carregava em seu sentido a expressão marcante do sagrado. Píndaro, divulgador dos valores tradicionais da aristocracia arcaica, pregava em versos que os saberes e potencialidades humanas possuíam inspiração divina: "Pois dos deuses vêm todos os meios para a aquisição das excelências humanas (aretais), para se ser sophoí, ter braços fortes e língua eloqüente (períglôssoi)" (Pit.I,42-43). A lírica grega arcaica relacionou o conceito de sophía principalmente com a experiência da arte poética. Para Píndaro, a sabedoria confunde-se intensamente com a arte dos poetas (Olimp.I,9 e IX,116). Por excelência, os poetas eram pessoas agraciadas pelo divino, na figura inspirada das “filhas de Mnemosine”. Lembramos a referência de Sólon de Atenas, no século VI a.C., em seu poema dedicado às Musas (fr.13 Edmonds, vv.51-52): “Outro, que aprendeu a ter os dons das Musas olímpicas, conhece a medida dos encantos da sophía”. O poeta exerceu um papel preponderante na formação cultural e educacional do homem grego. Sua poesia foi o instrumento mantenedor da memória coletiva, divulgadora maior de suas tradições. Platão, na voz de Protágoras, chega a confessar que "a parte principal na educação (paideías) do homem é que ele tenha familiaridade com a poesia épica (epón)" (Prot. 338e). Os poetas profissionais eram como "pais e guias da sophía" (Plat. Lis.21a). Xenófanes de Cólofon, poeta do séc. VI a.C., expressou em uma elegia (21B 2DK) que a sophía dos poetas valia mais que as vitórias olímpicas, mais que a força física de homens e cavalos, pois nada disso assegurava a eunomía na pólis, isto é, a "boa ordem". No poeta, a sophía supera a habilidade de "como fazer" e se mostra na capacidade plena e legítima de expressar o saber. Demonstra uma expressiva autoridade baseada na experiência de vida e de conhecimento, como a de um professor (Havelock,1996:302). Como ideal, a sophía habitava o mundo moral dos gregos; porém, a sabedoria sem virtude seria mera esperteza, capacidade que Platão condenou (Rep. 519 a) pois remetia à astúcia, instrumento capaz de maquinar a maldade. No testemunho de Xenofonte (Mem. III, 9,5), Sócrates defendera que a sophía era constituída pela aretê e pela justiça. 41 |
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Hélade 2 (2), 2001: 41-46 Em outro sentido, a sabedoria presente na sophía poderia estar representada pelo conhecimento acumulado através de experiências obtidas com viagens e o aprendizado daí resultante, pelo contato com terras distantes e seus povos, sua história e civilização. Nesse aspecto, tornaram-se famosos homens como Hecateu de Mileto e Heródoto de Halicarnasos. Na visão de Heráclito, que viveu nos inícios do século V a.C., o que vale para o sophós é “conhecer aquilo pelo que tudo é governado” (22 A 41DK). Para ele, “ser prudente é a melhor coisa (sophrônein aretê mégiste) e a sabedoria (sophíe) era “falar a verdade” (alethéia léguein) e se “fazer atentos à natureza (physis)” (22 A 112DK). Talvez essa seja a melhor caracterização já feita na antiguidade para a postura dos primeiros pensadores gregos, aos quais chamamos freqüentemente de “Pré-socráticos”. A sophía fazia parte dos valores cultivados pelos áristoi, o que garantia aos sophoí gozar de grande prestígio mesmo longe de sua terra natal. A maestria em uma arte ou técnica particular e a postura inclinada à aretê constituíam motivos suficientes para que alguém desfrutasse um status considerável no meio da pólis. Alcidamas, um retórico do século V a.C., confirma a destacada condição do sophós no mundo grego, ao declarar que "todos honram (timôsin) os sábios" (2) por exemplo, Homero e Pitágoras foram celebrados por sua sabedoria mesmo vivendo fora de suas póleis de origem: o primeiro em Quios; o outro, na Itália (Arist. Ret. II, 1398b) (3). Na visão tradicional de Homero, a aretê era o conjunto dos mais altos valores helenos e constituía uma qualidade inata própria dos áristoi ou agathoí, os de nobre descendência, os melhores tanto por nascimento quanto pelas virtudes morais cultivadas e praticadas (Carvalho, 1956:51). Do mesmo modo, Píndaro vai enaltecer certos dons inatos do sophós, como a capacidade de adivinhar. Em sua concepção, os melhores adivinhos são os que possuem naturalmente o divino dom da adivinhação, manifestada em sentenças verdadeiramente inspiradas e profundas, bem diferente da fala dos que aprenderam, pois esses "a barulhentos corvos se parecem” (Olimp.II, 83-87) (4).
No período arcaico grego,
os chamados "sábios" surgem
como figuras bastante significativas. Sua presença fez-se visível
sobretudo durante a crise política e moral vivida na pólis
desde o século VII e em todo o VI a.C.(Vernant, 1986: 48-9). Em meio à
expansão colonial, no contato com terras distantes e povos diversos,
viveu-se uma época de graves conflitos, com a instituição de tiranias,
a afirmação do cidadão na sociedade e a tensão decorrente da invasão
de povos do oriente. A participação do sábio em todos esses processos
demonstrou suas qualidades, como a capacidade de enfrentar problemas da
comunidade e de realizar ações sensatas. Alguns tornaram-se famosos como
conselheiros políticos, como Bias e Tales; legisladores e tiranos, como Sólon,
Periandro e Pítaco ou purificadores e adivinhos, como Epimênides e Onomácrito. Como homens públicos, logo tornaram-se pessoas notórias, lembradas não apenas pela gr andiosidade no saber, mas também pelas referências anedóticas acerca de fatos de suas vidas. É famosa a enumeração dos homens mais sábios da Grécia, os lendários Sete Sábios (5). Platão (Prot.343a-b) foi o primeiro a nomeá-los: Tales de Mileto, Pítacos de Mitilene, Bias de Priene, Sólon de Atenas, Cleóbulo de Lindos, Míson de Quen e Quílon da Lacedemônia. Depois dele, mesmo em épocas tardias da literatura greco-romana, muitas listas de "Sete Sábios” foram sugeridas. Em Diógenes Laércio, é possível contabilizar o número expressivo de vinte e dois sábios, referidos em diversas listas antigas (cf. Diog. L. I, 41-42). As narrativas sobre cada um deles confundiam-se na tradição popular, como transparece na dúvida de Heródoto (I, 27) sobre um conselho dado a Creso, rei dos lídios, por Bias ou Pítacos. 42 |
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Hélade 2 (2), 2001: 41-46 A tradição antiga sobre os ensinamentos do “sábios” baseava-se em aforismos ou expressões proverbiais que cada um deles teria deixado como tributo a Apolo, no templo do deus em Delfos. Os gregos denominavam-nas gnômai ou apotégmata, sentenças breves de cunho moral bastante apreciadas na pólis. As mais célebres eram "Gnóthi sautón" (Conhece-te a ti mesmo) e "Mêden ágan" (Nada em excesso). Segundo Platão, máximas assim só poderiam ter partido de pessoas “perfeitamente educadas” (Prot. 343 a). A relação da lenda dos Sete Sábios com a instituição délfica apenas reforça o toque divino na atmosfera da ‘sophia’. A proximidade com os deuses assegurava-lhes o acesso à verdade, pois apenas a divindade podia declará-la aos homens. Legitimava-se, então, um saber superior entre os mortais.
Até o século V a.C., o sophós também era denominado sophistês,
título útil para designar o tipo de homem experimentado nas artes sábias
(cf. Diog. L. I,12 e Plat. Prot.312c). Uma boa tradução do termo é a de
"mestre", alguém capacitado em instrução prática ou moral (Guthrie,
1995:33). Para Eurípides (Heracl.993), o sophistê
é alguém versado em uma arte. Heródoto (I, 29 e 95) chama homens como Sólon
e Pitágoras de sophistais. Em Píndaro
(Ist.V, 28-29), vemos como os heróis lendários foram celebrados na voz
de hábeis sophistais", no
caso, os poetas. Fica claro que em meados do século V a.C., a designação
"sophistês" não
havia recebido a conotação negativa que se observa posteriormente.
Nos textos platônicos, é bem nítida a depreciação da atividade de
'sofista', como podemos notar pelos termos que o filósofo utiliza para
esse tipo de professor: "caçador
interesseiro de jovens ricos", "negociador de conhecimentos sobre a alma" e "vendedor
e produtor de ciências" (Plat. Sof.231d-e). Platão
sugere dois tipos de sophía:
a verdadeira, buscada com sinceridade pela chamada philosofía,
e a falsa, produzida pelos mestres conhecidos como sophistês. Já é clara aqui a distinção entre o sophistês e o philósophos
(6): o sentido do
primeiro degenera-se, indicando aquele indivíduo que ignorava a moral e a
ética da pólis, o sentido da
moderação, do comunitário.
Utilizando-se de todos os meios retóricos para vencer uma causa ou
convencer o próximo de alguma idéia, o sophistês
estará apto a ensinar aos cidadãos essa arte em troca de um
pagamento. Aristófanes, em sua sátira habitual, considerava-os charlatães,
especialmente em relação às coisas celestes (Nuv.333 e 355) (7).
Xenofonte (Mem. I, 6,13) chama-os de "prostitutos", vendedores de saber. O philósophos, por seu turno, apenas almejava a sophía, sem interesses materiais; reconhecendo a própria ignorância,
demonstrava sabedoria, além de grandeza intelectual e
moral. No Período Clássico, a sophía será percebida como um valor ideal e o nome ‘sophós’ será apenas digno para os deuses, bem como afirma Platão no Fedro (278a), onde confessa que o termo mais apropriado para a situação daquele que busca o "conhecer" sincero seria o de philósophos (8). Platão, no entanto, continua a designar os grandes sábios do passado com o epíteto sophoí (cf. Rep. 600 a). 43 |
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Aristóteles foi
consciente em dar outras dimensões significativas à sophía.
O problema é tratado sobretudo no livro I da Metafísica e no VI da Ética
a Nicômaco. O mestre de Estagira deslocará o sentido tradicional de sophía, vista como excelência numa arte particular, para a disposição
de uma das porções racionais da alma, no caso, a porção "científica"
(epistêmonikôn). Em outras
palavras, aquela parte que busca o conhecimento dos princípios, das
realidades mais sublimes. Ele instituirá a sophía
como a "mais perfeita das epistêmôn"
(Et.Nic. VI, 1141 a19-20), a qual não terá objetivo de
produzir nenhum benefício imediato para o homem, e sim o de buscar as
causas verdadeiras de todas as coisas. Para Aristóteles (Et. Nic. X, 1177b30-34), a realização perfeita do homem estava no exercício de sua racionalidade, e a contemplação intelectual do mundo era a manifestação própria da felicidade. A sophía passava a constituir, então, a causa formal da felicidade, já que havia sido definida como a razão que busca os princípios profundos da existência. O pensar sobre as coisas mais elevadas, para Aristóteles, aproximava o ser humano dos deuses, do divino. O sábio, em sua visão, é aquele que se ocupa dos assuntos mais difíceis de ser conhecidos pelo homem, ou seja, os universais (kathólou). Desse modo, foram chamados sophoí Tales e Anaxágoras, por saberem coisas "estranhas, admiráveis, difíceis e divinas" ( Arist. Ét. Nic. VI, 1141 b 2-8). A tradição dos estudiosos, antigos e modernos, sobre a questão da sophía, aparece na tentativa de delinear as dimensões fundamentais desse conceito, em seus estágios sucessivos no decorrer do tempo (Kerferd,1976:17-18), como se ele tivesse passado por três momentos significativos: a) Habilidade em uma arte, um ofício; b) Sabedoria de vida, prudência; c) Sabedoria teórica, científica ou filosófica. São, efetivamente, noções inseparáveis que conviveram no entendimento grego acerca do saber, levando em conta aquele ideal de ser um cidadão completo, perfeito naquilo que se podia ser e oferecer para o conjunto da pólis. Porém, esses supostos "estágios" não conseguem apreender a grandiosidade conceitual da sophía em seus valores mais complexos. A idéia de divino e o caráter de "potência" e superioridade não podem ser negligenciados, pois a sophía foi um termo essencialmente poético, ligado ao saber inspirado pelos deuses, naquilo que faz o sábio enxergar o sentido das coisas, de mostrar o que estava escondido, de esclarecer enigmas, perceber o que ninguém percebeu. Nosso entendimento do sentido da sophía grega está etimologicamente ligado ao verbo latino sapio, eu saboreio, bem como a sapiens, aquele que degusta e sisyphos, o homem de gosto apurado, que tem discernimento sobre as coisas (Nietzche, 1995:30). Mas a presunção de conhecer, no mundo grego, é indissolúvel da doação divina, em amplos sentidos. "O divino é belo, sábio e bom", diz Sócrates no Fedro (246e). Assim, de acordo com os valores gregos, o que houvesse de mais elevado no conhecimento humano seria proveniente dos deuses, desde a habilidade do construtor de barcos em Homero até a vidência do maior dos adivinhos, e cada atividade possuía a divindade correspondente, sua protetora e inspiradora. Por outro lado, Eric Havelock (1996:301) bem declarou que "o adjetivo sophós, mais do que qualquer outro, havia marcado o homem como inteligente", o que sugere ultrapassar o sentido de simples habilidades profissionais. Retornar aos gregos para analisar o antigo conceito de sophía é uma opção de caráter histórico que implica, de fato, não apenas em um aprofundamento acerca de aspectos específicos da cultura helena, mas também se mostra como ponto de partida para refletirmos sobre a condição atual do "saber" nos mais amplos aspectos e sobre o próprio valor que nossa sociedade tem reservado ao "conhecimento". Estava certo Werner Jaeger (1995:05) ao afirmar que o interesse em retornar aos gregos baseia-se em nossas próprias necessidades vitais. A sophía é uma herança preciosa, expressão evidente do desejo humano de conhecer. 44 |
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Hélade 2 (2), 2001: 41-46 NOTAS 1 - Na base de esculturas de cemitérios áticos do período arcaico, encontrou-se gravados epítetos indicativos dos autores, como “phaidimos” (brilhante); “philergos” (enérgico), entre outros. Em uma dessas bases, datada entre 560 e 540 a.C., o artista escreveu “sophós”, que traduzimos como “hábil”. (Cf. Boardman, 1996:74).
2 - A veneração dirigida aos sábios não foi regra geral entre os gregos. É famosa a crítica incisiva de Heráclito sobre homens célebres como Homero, Hesíodo, Arquíloco, Xenófanes, Pitágoras e Hecateu. (Cf. Diog. L. IX, 1; 22 B 81DK e 22 B 106 DK). Por outro lado, parece que o próprio Heráclito admirou Tales e Bias (Diog. L.I, 23 e 88).
3 - Podemos ainda citar o poeta Anacreonte de Téos e o engenheiro Eupalinos de Mégara em Samos do tempo de Polícrates; ou mesmo Epimênides de Creta e Anacársis da Cítia na Atenas de Sólon.
4 - (1)
Píndaro declarou sua preferência (tipicamente aristocrática)
pelos dons naturais (cf. Olimp.IX, 100: “tò
dé phýai krátiston”), mas reconhecia que muitos buscavam alcançar
fama e glória (kléos) através do aprendizado (didaktais)
das excelências humanas (arethais),
embora tal caminho fosse bastante árduo (cf. Olimp. IX, 106).
5 - (1)
Sobre os Sete Sábios, ver o Livro I da obra de Diógenes Laércio.
Os fragmentos deles encontram-se em Diels-Kranz 8, pp.60-66. Sobre o
assunto, ver ainda Zeller-Mondolfo, 1967, p.I, v.I; pp.253-7; A.
Mosshammer, 1976:165-180; J-P.Vernant,1986:48-57.
6 - (1)
Os primeiros pensadores, como Tales, Pitágoras e Xenófanes apenas
foram chamados “filósofos” em algum momento do século V a.C., pois
sua reflexão chamara a atenção daqueles que então se ocupavam de “philosophía”.
7 - (1)
Incluídos nesse grupo estavam o physikós
Diógenes de Apolônia (Nuv.225ss e 264), o poeta Íon de Quios (Paz,
832-37 = 36 A2 DK), os retóricos (Nuv.315ss) e o próprio Sócrates (Nuv.100).
8 - (1)
É conhecida a lenda de Pitágoras, que não quis ser chamado de sophós
e sim philósophos, já que o primeiro termo indicava uma perfeição
intelectual, atributo exagerado para simples mortais (.Diog. L.VIII, 8,6).
A lenda é tardia, bem como aquela contada por Heródoto (I,30) a respeito
de Sólon, segundo a qual o sábio ateniense havia “filosofado”. 45 |
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Hélade 2 (2), 2001: 41-46 ABREVIATURAS Aristof.
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Eth. Nic. : Aristóteles, Ética à
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Heracl.: Eurípides, Heracles Herod.:
Heródoto, História Hes. Trab.e Dias: Hesíodo, Trabalhos e Dias Hom.
Il. : Homero, Ilíada Hom.,
Od.: Homero, Odisséia Pind,
Ist.: Píndaro, Ístmicas Pind,
Olimp.: Píndaro, Olímpicas Pind,
Pit.: Píndaro, Píticas. Is.
Or.: Isócrates, Oração Plat,
Lis.: Platão, Lísias Plat.,
Prot.: Platão, Protágoras Plat, Rep. : Platão, República. Plat,
Sof.: Platão, Sofista Xen.
Mem.: Xenofonte, Ditos e Feitos
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