ISSN 1518-2541

Hélade 1 (2), 2000: 01

EDITORIAL                                                             

Maria Regina Candido

Professora da UERJ, Coordenadora do NEA/UERJ, Doutoranda em História Social na UFRJ  e editora da HÉLADE.

 

 HELADE define-se como uma revista eletrônica, independente e sem fins lucrativos que visa divulgar a produção de saber em História Antiga no Brasil e no exterior.

Percebe-se, junto aos pesquisadores de antiguidade a dualidade: memória e história. Compreendemos a memória como a capacidade de conservar certas informações, que nos permitem interpretar e construir o passado de uma determinada sociedade. O processo de preservação da memória de sociedades antigas faz intervir não só a ordenação de indícios como também a releitura de vestígios que nos levam a contínuas ( re)formulações de teses e hipóteses. O resultado evidencia-se através de progressivos esclarecimentos, explicações que tanto ampliam o nosso conhecimento quanto o nosso questionamento.

Atualmente, há um profundo interesse pela memória social ou coletiva como um dos meios fundamentais de abordar os problemas do tempo, da história e do homem. Diante do acelerado processo de globalização, que estrangula as diferenças étnicas e estigmatiza o “outro”/o diferente, tornou-se necessário dar uma especial atenção para o passado, para as distinções culturais.

Vivenciamos um processo de quedas de fronteiras, do estabelecimento da unicidade de comportamento promovido pela acentuada quantidade de informação, tornando o homem inerte, apático, um anônimo sem perspectivas. Ele não reage diante da guerra, da corrupção, da morte paralisado pelos  flashes  de informação. A sociedade perde muito com tal apatia pelo fato de deixar de ser crítica.

A revista HELADE com o seu interesse pelo passado, divulgando pesquisas em História Antiga, atua de maneira significativa na possibilidade de rescrever a história do homem ativo, participante, aquele que usa a palavra para debater, para questionar e decidir. Volta-se para a construção da história como arte, como uma manifestação crítica, reflexiva e ativa, buscando a imortalidade do homem, da sociedade e da preservação da História e da Memória.

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