ISSN 1518-2541

 Hélade 3 (1), 2002: 60

Alexandre Carneiro Cerqueira Lima

Doutor em História e Editor da Hélade

e-mail: cipselo@ig.com.br

Linguagens e Formas de Poder na Antigüidade

THEML, N. (org.) Linguagens e Formas de Poder na Antigüidade. Rio de Janeiro: Faperj/ Mauad, 2002, 230 p.

 

   O livro Linguagens e Formas de Poder na Antigüidade é o resultado de um esforço conjunto dos pesquisadores de História Antiga no Brasil. A Organizadora da obra - Profa. Doutora Neyde Theml * - estimulou a publicação das Dissertações de Mestrado defendidas no Programa de Pós-Graduação em História Social (PPGHIS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com o objetivo de apresentar ao grande público pesquisas originais e inovadoras na área de História Antiga.

   O livro está dividido em três partes: 1) Introdução; 2) Mito, Linguagem e Representações; 3) Poder, Práticas e Saberes. Logo na Introdução, Neyde Theml privilegia a questão da comunicação em três níveis: a oral, a escrita e a imagética. De acordo com a autora, a  pólis era a sociedade da comunicação e de "todos os meios para se fazer entender (informação), desde o uso das palavras até o das imagens." (p. 20)

   Na segunda parte da obra mergulhamos no instigante mundo das práticas sociais dos helenos e dos romanos. Denise Milon del Peloso investigou as distintas versões do mito de Actéon (de Homero a Eurípides) e o seu impacto na pólis de Atenas no V século a. C. Nesta mesma época, os habitantes de Atenas buscaram aliviar as agruras cotidianas por meio de rituais mágicos. Maria Regina Candido estudou estes ritos privilegiando as imprecações contidas nas lâminas de chumbo, chamadas de defixios, encontradas no Cerâmico de Atenas. Manuel Rolph de Viveiros Cabeceiras analisa o papel exercido pelo poeta Ovídio durante o Principado. O autor apresenta aos leitores o método (análise isotópica) utilizado para compreender as mensagens transmitidas pelo poeta em sua obra épica As Metamorfoses.

    Na segunda parte do livro, temos duas pesquisas sobre o período arcaico heleno (do VIII ao VI séculos a. C.): a de Adriene Baron Tacla que investigou os contatos comerciais e culturais entre helenos e celtas por meio da hospitalidade - xenía; e a de Katsuzo Koike, cujo objetivo foi o de estudar o grupo de pensadores jônios - physikoí -, tais pensadores estavam preocupados em explicar os fenômenos visíveis no cosmos. E voltamos à Atenas Clássica com a pesquisa de Ana Livia Bomfim Vieira. A pesquisadora nos apresenta um panorama do espaço rural da Ática e os diversos grupos que lá habitavam (agricultores, pescadores e pastores). A oposição campo versus cidade foi também objeto de estudo a partir da valorização das atividades agrícolas por certos grupos atenienses, bem como o menosprezo dado pelos grupos democráticos à vida no campo.

   Este livro é a materialização do empenho constante da Professora Doutora Neyde Theml em divulgar as pesquisas em História Antiga no Brasil. Com três décadas dedicadas ao estudo da Antigüidade Grega, Neyde Theml sempre apoiou a fundação de Laboratórios de Pesquisas, Revistas especializadas e principalmente acolheu diversos pesquisadores interessados em estudar sociedades antigas. Devemos congratular a iniciativa da Faperj em publicar uma obra que irá enriquecer a produção historiográfica brasileira sobre Antigüidade.

* Professora Titular de História Antiga do Departamento de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Copyright  © 2002 Todos os direitos reservados a Alexandre Carneiro Cerqueira Lima.

60