ISSN 1518-2541

Hélade 3 (1), 2002: 01

EDITORIAL                                                             

Maria Regina Candido

Profa.  Dra. de História Antiga do Departamento de História da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

Trabalhar em Equipe

    Cada vez mais constatamos que o trabalho isolado do pesquisador em uma biblioteca ou em seu escritório com a companhia somente de seu computador é uma tendência a ser superada. O trabalho em equipe, ou seja, o estudo de um determinado objeto de pesquisa por diferentes profissionais proporciona uma melhor compreensão do mesmo. O olhar de um historiador não é o mesmo de um arqueólogo, entretanto ambos podem trocar idéias e informações. A interdisciplinaridade - o diálogo entre as disciplinas - permite o enriquecimento de uma pesquisa. Devemos lembrar das palavras do historiador francês Lucien Febvre ao pregar que a história isolada era uma abstração. Febvre convidava nós historiadores a trabalhar em equipe (laboratórios/ centros de pesquisa) e buscar o diálogo com outros profissionais. *

   O Projeto Archai tem como objetivo estabelecer o contato entre História e Filosofia. O projeto é coordenado pelo Dr. Gabriele Cornelli (UNIMEP-UMESP) e conta com a participação dos professores Dr. André Leonardo Chevitarese (UFRJ, vice-coordenador)) e Dra Maria Regina Candido (UERJ-Pesquisadora)), além de discentes de graduação que estão trabalhando as suas monografias e iniciações científicas no interior do Grupo Archai.

   O projeto Archai se propõe operar comparativamente uma visão histórica das origens do pensamento ocidental, procurando sinais de uma pluralidade de vertentes, problemas, figuras e definições.

   As fontes “pré-platônicas” nos mostram a doutrina pitagórica como uma complexa amálgama de simbologia numérica, doutrinas sobre a imortalidade da psyché, e regras de vida ascética. Tudo isso com um forte toque oriental: matemática babilônica, éthos da sabedoria iraniana e doutrina da metempsicose indiana.

   Duas leituras do pitagorismo (e assim das origens da filosofia antiga) parecem se confrontar neste caso: de um lado, uma interpretação da vida mística ou religiosa e da atividade filosófica como intrinsecamente distintas por formas e linguagens e, de outro, uma compreensão das duas formas de expressão como reciprocamente implicadas na sabedoria grega antiga.

   A tradição pitagórica é, por tudo isso, talvez o caso em que mais se torna evidente a necessidade de uma revisão hermenêutica da historia das origens da filosofia e de pensamento ocidental em geral. Daí, a necessidade de se criar um espaço de discussão entre filósofos e  historiadores para poder compreender a difusão e a aceitação/ recusa da doutrina pitagórica em Atenas e outras póleis, principalmente no período clássico (V e IV séculos a. C.).

* FEBVRE, L. Combats pour l'Histoire. Paris: Armand Colin, 1992 (1952).

 

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